Memórias DDR5 falsificadas invadem mercado em meio à alta explosiva nos preços

Memórias DDR5 falsificadas começaram a aparecer com força em mercados asiáticos, segundo relatos de varejistas físicos e plataformas online no Japão e em outros países da região.

Os módulos parecem reais à primeira vista, mas trazem chips DRAM de plástico, componentes deslocados e até mistura entre marcas, com etiqueta de uma fabricante e Silício de outra.

Um caso reportado por um usuário japonês na rede social X envolve um módulo DDR5 SO-DIMM de 16 GB com rótulo da Samsung que, ao ser aberto, revelou chips fabricados pela SK Hynix. As bordas do PCB apresentavam acabamento arredondado, os contatos de ouro tinham padrão estranho, e o módulo não era funcional.

Chips de plástico no lugar de DRAM real

Diferentes versões dos módulos falsificados aparecem com problemas distintos. Algumas trocam o Silício por plástico moldado com aparência de chip.

Outras posicionam o circuito de gerenciamento de energia (PMIC) fora do lugar correto, e há ainda casos em que partes da placa principal vieram de outro modelo. Em qualquer um desses cenários, o módulo não faz POST e o PC não dá vídeo.

O módulo SO-DIMM de 16 GB falsificado apareceu listado em leilões da plataforma Yahoo Auctions Japan por 12.845 ienes, equivalente a aproximadamente US$ 85 ou cerca de R$ 421 pela cotação atual de R$ 4,95 por dólar (sem considerar impostos brasileiros nem taxas de importação). A descrição do anúncio classificava o item como “junk”, sem garantia de funcionamento, e o vendedor declarava recusa de devolução.

Reprodução/Yahoo

Essa categoria de fraude é mais difícil de detectar em modelos para desktop; os módulos DIMM costumam vir com dissipador de calor sobre os chips, então o comprador só descobre a fraude ao desmontar a peça ou tentar ligar o computador.

A crise dos preços que abriu espaço para os golpes

A onda de falsificações ocorre em paralelo a aumentos sem precedentes no mercado de hardware de memória. Apenas no primeiro trimestre de 2026, os preços de RAM no varejo subiram cerca de 110% e os SSDs avançaram 147%, segundo dados compilados pela WCCFTech.

A TrendForce prevê que os preços de contrato da DRAM subam entre 55% e 60% no Q1 2026 comparado ao trimestre anterior. A casa de pesquisa atribui o salto à priorização de capacidade para HBM e memória de servidor voltadas a workloads de inteligência artificial.

“À medida que os preços da DRAM continuam a subir, proteger a autenticidade do produto se tornou cada vez mais importante”

Corsair

A HP confirmou em chamada com investidores que memória e armazenamento saltaram de algo entre 15% e 18% do custo de fabricação de um PC para aproximadamente 35% em 2026. Lenovo e Acer já anunciaram reajustes nos preços finais. Projeções de TrendForce e IDC indicam que a normalização não chega antes do fim de 2027.

Como diferenciar um módulo legítimo do falso

A inspeção visual costuma ser o primeiro passo. Vale observar os contatos de ouro, que devem ter acabamento uniforme e bordas retas. Em módulos DDR5 reais, o entalhe central tem posição específica que difere de gerações anteriores como DDR4 e DDR3.

Mais pontos de checagem incluem comparar o número de série da etiqueta com o cadastro do fabricante no site oficial, verificar a presença do PMIC integrado (característica exclusiva do DDR5) e desconfiar de preços muito abaixo do mercado.

Sinal de falsificaçãoO que conferir
Chips DRAM com brilho ou textura diferentesDevem ser cerâmicos, nunca plásticos
Etiqueta de marca X com chips de marca YComparar logos da etiqueta com gravação dos chips
Bordas do PCB arredondadasBordas reais são retas e bem cortadas
PMIC ausente ou deslocadoDDR5 sempre tem PMIC integrado ao módulo
Vendedor sem reputação ou que recusa devoluçãoComprar somente em canais autorizados

Para desktops, o dissipador é o maior obstáculo. Sem retirá-lo, a verificação fica restrita à embalagem e ao funcionamento após instalação.

Caso ADATA, Corsair e o histórico de golpes recentes

Não é só na Ásia. Em dezembro de 2025, um comprador da Amazon Espanha recebeu kits ADATA XPG Caster DDR5-6000 com módulos DDR2 antigos colados a placas metálicas para simular o peso correto, conforme reportado pela VideoCardz. As caixas vinham seladas com plástico aparentemente original.

A Corsair relatou casos de clientes recebendo memórias decorativas (peças plásticas vendidas pela própria fabricante apenas como enfeite) em vez de kits de 96 GB DDR5 avaliados em cerca de US$ 1.000.

“A empresa mudou a embalagem da linha Vengeance para clamshell com selo de violação após o caso, segundo post oficial em blog publicado em fevereiro de 2026.”

A V-Color, fabricante focada em DDR5, lançou kits “1+1” que combinam um módulo real e um módulo falso decorativo para criar ilusão de canal duplo. Não há fraude na proposta, já que o vendedor declara o conteúdo, mas o lançamento diz muito sobre a indústria de memória no momento atual.

GPUs e CPUs já vinham sofrendo o mesmo tipo de ataque… Casos recentes incluem uma RTX 5090 da MSI vendida sem chip GPU nem chips de VRAM e processadores Ryzen 7 9800X3D substituídos por antigos FX-4100 dentro da embalagem original.

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Verificar antes da compra reduz o risco do golpe

A combinação de escassez global de DRAM, demanda recorde por IA e atraso na expansão de capacidade fabril abre brecha para fraudadores. Enquanto Micron, Samsung e SK Hynix priorizam clientes corporativos com contratos de longo prazo, o varejo de PC se torna alvo fácil.

A recomendação prática para quem precisa comprar memória neste momento envolve três pontos básicos. Lojas autorizadas pelo fabricante seguem como o canal mais seguro, gravar o vídeo da abertura sem cortes ajuda em caso de devolução, e o número de série deve bater com o cadastro oficial da marca antes da instalação.

Para o pequeno comprador, o prejuízo de cair em um golpe desses pode chegar a R$ 2.000 ou mais por kit no Brasil, considerando os preços atuais de DDR5 no varejo nacional. O que era um upgrade simples virou operação que exige cautela parecida com a de comprar GPU usada.

Fonte(s): WCCFTech, Yahoo Auctions Japan, VideoCardz, Tom’s Hardware e TrendForce

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