Lip-Bu Tan, CEO da Intel, confirmou nesta quinta-feira (23), durante a teleconferência de resultados da companhia, o aprofundamento da parceria com Tesla, SpaceX e o projeto de fabricação de semicondutores TeraFab, revelado um dia antes no balanço trimestral da montadora.
O acerto envolve a utilização do futuro nó de processo 14A da Intel e, segundo Tan, pode assumir contornos que ultrapassam um simples licenciamento de tecnologia de silício.
A lacuna entre oferta e demanda de chips e os planos de eficiência produtiva
A colaboração com as empresas de Elon Musk é estruturada na avaliação compartilhada de que a capacidade global de produção de semicondutores não está acompanhando a velocidade do crescimento da demanda.
Nas palavras do executivo, ele e Musk mantêm a forte convicção de que a oferta está defasada em relação à aceleração do consumo, e as duas partes pretendem explorar maneiras não convencionais de elevar a eficiência de fabricação para modificar de forma dinâmica a economia da manufatura de semicondutores.
Ainda não há confirmação oficial sobre se o acordo se restringe a licenciamento, mas a indicação de Tan sugere um relacionamento mais amplo de cooperação técnica e industrial.
O papel do nó 14A e a posição da Intel Foundry
Independentemente do formato contratual, a TeraFab se tornou o primeiro grande cliente anunciado para o nó 14A da Intel.
O segmento de fundição da companhia registrou margem operacional de -45% no primeiro trimestre de 2026, uma recuperação parcial diante do piso de -71,7% observado no segundo trimestre de 2025, porém ainda em território negativo com receitas em declínio no ano anterior.
A expectativa, conforme sinalizado por Tan, é de aprendizado mútuo durante a exploração de rotas inovadoras no processo de fabricação.
Ao ser questionado diretamente sobre os termos da relação com a TeraFab, o CEO descreveu o vínculo como “muito amplo”, acrescentando que se trata de um cliente empolgante e que a Intel mantém tratativas com múltiplos outros parceiros, sem detalhar cronogramas ou valores.

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Reação do mercado e o contexto da cadeia de suprimentos
O problema enfrentado, mencionado na teleconferência, diz respeito ao tempo necessário para atingir produção plena em meio a uma cadeia de suprimentos que não responde com a velocidade exigida.
A movimentação desta quinta-feira sinaliza que a Intel e TeraFab atuarão conjuntamente para encurtar os ciclos de ramp-up.
Aos que estão por fora, esse termo (ramp-up) se refere ao período no qual uma fábrica de semicondutores leva para sair da produção inicial em baixo volume e atingir escala total com eficiência máxima.
Essa movimentação da gigante da tecnologia foi suficiente para impulsionar as ações da Intel no after-hours de quinta-feira (negociações que ocorrem após o fechamento oficial da bolsa).
Para encerrar esta matéria, ressaltamos que os papéis encerraram o pregão regular a US$ 66,78 e saltaram 19% nas negociações estendidas, alcançando US$ 79,74 por ação.
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Fonte: Tom’s Hardware

