CEO da NVIDIA diz que China não deveria ter GPUs de IA avançadas como Blackwell

A discussão sobre o envio das GPUs NVIDIA Blackwell para a China ganhou um episódio mais áspero nesta terça (5). Em uma conferência em Los Angeles, Jensen Huang afirmou que o país asiático não deveria receber os aceleradores mais avançados da empresa, e citou nominalmente a Blackwell e a próxima geração Rubin.

Recado dado diante de banqueiros e investidores

O comentário aconteceu durante o Milken Institute Global Conference, evento em Los Angeles que reúne banqueiros, executivos e investidores.

A fala foi registrada pelo Nikkei Asia, e nela o cofundador da NVIDIA defendeu que os Estados Unidos preservem a dianteira no mercado global de aceleradores de IA.

Para Huang, a presença internacional dos chips americanos ajuda a aumentar a arrecadação de impostos, fortalece a economia e contribui para a segurança nacional.

Divulgação/NVIDIA

Ao mesmo tempo, o executivo foi direto sobre Blackwell e Rubin: nenhum dos dois deveria sair dos Estados Unidos rumo a clientes chineses.

“Somos grandes apoiadores de que os EUA tenham os primeiros, os mais e os melhores.”

Jensen Huang, CEO da NVIDIA, segundo apurou a Nikkei Asia

H200 liberado, mas com fatia zero na China

A fala de agora é mais dura do que o tom adotado pela empresa em meses anteriores…

Em novembro, o governo norte-americano autorizou a venda das GPUs H200 para clientes na China, com a contrapartida de a NVIDIA repassar 25% do faturamento dessas operações ao Tesouro dos Estados Unidos. Em fevereiro, a fabricante confirmou ter recebido pedidos de empresas chinesas.

Divulgação/NVIDIA

Na prática, porém, o esquema não se converteu em vendas. Na teleconferência de resultados mais recente, a NVIDIA informou que não enviou unidades novas do H200 a clientes chineses no período. O próprio Huang admitiu, semanas atrás, que a fatia da empresa no mercado chinês de aceleradores caiu a zero por cento.

Os números evidenciam que nenhuma unidade do H200 deixou a empresa em direção à China no primeiro trimestre fiscal de 2026. Hopper, a geração que abriga o H200, se tornou rara nos relatórios financeiros da fabricante.

AMD progride em receita enquanto NVIDIA desacelera

A concorrência, enquanto isso, se mexeu: a AMD, que também recebeu sinal verde para exportar o Instinct MI308X, embolsou cerca de US$ 390 milhões (aproximadamente R$ 1,93 bilhão pela cotação comercial atual, sem considerar impostos brasileiros e taxas de importação) em vendas a clientes chineses no mesmo intervalo.

Divulgação/AMD

O número faz da empresa de Lisa Su a única grande fabricante norte-americana lucrando de fato com a brecha controlada para a China. Huang reconhece isso. Mantém, ainda assim, que Blackwell e Rubin precisam ficar fora do alcance de Pequim.

LinhaGeraçãoStatus para a ChinaProcesso da TSMC
H200 (Hopper)AtualLiberada com taxa de 25% ao Tesouro dos EUAN4 e N5
Blackwell (B100/B200)AtualBloqueada na configuração completaN4 e N5
RubinPróxima geraçãoBloqueada conforme posição de HuangN3

Capacidade da TSMC explica ausência de Hopper

Existe também um motivo industrial para os envios travados, visto que Hopper e Blackwell saem das mesmas linhas N4 e N5 da TSMC, e a alocação dessa capacidade é finita.

Entre fabricar H200 para clientes chineses (com 25% indo para o governo dos EUA) ou Blackwell para o mercado norte-americano (com margens superiores), a NVIDIA escolhe Blackwell. Cada wafer N5 simplesmente rende mais como produto de topo vendido em solo americano.

A equação muda quando a Rubin entrar em produção em volume nas linhas N3 da TSMC. Com a nova geração consumindo capacidade de outro nó, a foundry taiwanesa libera espaço em N4 e N5 e a Hopper deve voltar a ter lotes maiores.

Daí a possibilidade de a NVIDIA retomar envios do H200 para a China assim que houver folga produtiva.

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Versão cortada de Blackwell segue na mesa

No início deste ano, Huang havia sinalizado que clientes chineses receberiam alguma variante de Blackwell em algum momento, sem detalhar prazos nem características técnicas.

A interpretação que circula entre analistas como Patrick Moorhead é que, quando a Rubin estiver no topo do catálogo, uma versão reduzida de Blackwell poderá ser liberada para o mercado chinês, na mesma linha do que aconteceu com o H20 e do que se cogitou para o B30A.

A fala em Los Angeles, porém, fecha as duas portas mais relevantes: nada de configuração completa e também nada de Rubin. A posição da empresa segue o discurso de Donald Trump e do secretário do Tesouro Scott Bessent, e mantém os modelos topo de linha trancados para Pequim.

Para a NVIDIA, sobra um problema que é o da companhia continuar fora de uma das maiores economias de IA do planeta e ver a AMD crescer com produtos liberados e ainda lidar com a expansão doméstica chinesa, puxada por Huawei e Cambricon.

Fonte(s): Nikkei Asia

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