Apple deve consumir até 2,4 ExaBytes de memória LPDDR5 em 2026 mesmo com alta nos preços

A Apple caminha para consumir 2,4 ExaBytes de memória LPDDR5 ao longo de 2026, um volume equivalente a 2,4 milhões de TeraBytes de DRAM, suficiente para revelar a escala assombrosa do apetite da empresa por chips de memória móvel, mesmo em um cenário de escassez global e preços em alta acelerada.

O cálculo por trás dos 2,4 ExaBytes

O número apareceu de uma análise de cadeia de suprimentos publicada pelo WCCFTech com base em dados de mercado. O raciocínio é direto: o iPhone 17 base vem com 8 GB de RAM, enquanto os modelos iPhone 17 Pro e Pro Max trazem 12 GB.

Considerando que, no primeiro trimestre de 2026, o iPhone 17 Pro respondeu por 25% das vendas nos Estados Unidos e o Pro Max por 27%, os modelos Pro representam juntos 52% do mix de vendas. Isso resulta em uma média aproximada de 10 GB de RAM por iPhone.

Com uma meta de produção anual de 240 milhões de iPhones, o cálculo chega a 2,4 ExaBytes. Para contextualizar: um ExaByte equivale a um bilhão de GigaBytes.

Reprodução/GAMERS NEXUS

Estocagem como arma competitiva

A Daishin Securities, corretora sul-coreana, validou recentemente a tese de que a Apple está comprando ativamente toda a memória DRAM móvel disponível no mercado não apenas para garantir sua própria linha de produção, mas com o objetivo de limitar o acesso dos concorrentes a esse insumo crítico.

Segundo o analista Hyung-Geun Ryu, da Daishin Securities, a Apple estaria explorando a escassez de memória em um momento de estagnação do mercado norte-americano, elevando sua meta de envios de iPhone para 240 milhões de unidades enquanto pressiona a capacidade de entrega dos rivais.

“Para a maioria das marcas não ligadas à IA, mesmo que você esteja disposto a pagar mais caro, não há garantia de que vai conseguir o fornecimento. O fato de a Apple conseguir fechar acordos assim mostra o quanto de poder ela tem.”

Ming-Chi Kuo, analista de supply chain da Apple

A estratégia foi, segundo o WCCFTech, arquitetada pelo próprio Kuo ainda em janeiro de 2026, quando o analista aconselhou a Apple a aproveitar o caos no mercado de memória, absorvendo os preços elevados e sacrificando parte das margens para congelar os preços de seus produtos enquanto concorrentes são forçados a repassar custos ao consumidor.

Pânico entre as fabricantes chinesas

O efeito colateral do movimento da Apple foi imediato: fabricantes chinesas como Xiaomi, Oppo e Vivo, que operam com margens mais estreitas nos segmentos intermediário e básico, começaram a estocar memória em resposta, agravando ainda mais a escassez no mercado global.

A situação chegou a fazer com que varejistas no distrito eletrônico de Akihabara, em Tóquio, limitassem a compra de módulos de memória para conter o acúmulo por parte de revendedores.

Segundo o analista Yang Wang, da Counterpoint Research, “será difícil para quem não tem tanto espaço de manobra equilibrar participação de mercado com margens de lucro. Veremos isso se desenrolar especialmente entre as OEMs chinesas ao longo do ano.”

Escassez estrutural, não conjuntural

A disputa da Apple por LPDDR5 ocorre dentro de uma crise de memória que analistas descrevem como estrutural, não apenas cíclica.

Reprodução/GOODRAM Industrial

A demanda explosiva de data centers de inteligência artificial por chips HBM e LPDDR5X fez com que Samsung, SK Hynix e Micron redirecionassem capacidade de wafer para esse segmento de maior margem, reduzindo o volume disponível para dispositivos de consumo.

A SK Hynix revelou que sua capacidade inteira de HBM para 2026 já está vendida, com estoques tradicionais de DRAM em níveis criticamente baixos, com apenas cerca de quatro semanas de cobertura.

Goldman Sachs projeta que o déficit de oferta de DRAM chegará a 4,9% em 2026 e 2,5% em 2027. A Gartner, por sua vez, estima que os preços gerais de DRAM e SSD subirão 130% até o fim de 2026, pressionando os preços de PCs em 17% e os de smartphones em 13% em relação a 2025.

Os preços de LPDDR já acumulavam alta de 10% a 25% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao ano anterior, com Kuo alertando que um novo aumento similar está previsto para o segundo trimestre.

A Apple, que historicamente renegociava contratos de memória a cada seis meses, passou a fazê-lo trimestralmente desde o início do ano, o que lhe dá mais agilidade mas também maior exposição às oscilações de mercado.

Reprodução/GAMERS NEXUS

iPhone 18 sem reajuste de preço, por ora

Apesar do cenário adverso, a estratégia declarada da Apple é não repassar os custos crescentes de memória ao consumidor final, pelo menos no lançamento do iPhone 18, previsto para o segundo semestre de 2026. Kuo projeta que o preço inicial dos novos modelos deve permanecer estável em relação ao iPhone 17, que parte de US$ 799.

A ideia é clara: ao absorver as margens no curto prazo, a Apple usa a crise como alavanca para ganhar participação de mercado enquanto concorrentes são forçados a encarecer seus produtos ou reduzir especificações.

A receita de serviços, que cresce de forma consistente, funciona como amortecedor para compensar a compressão nas margens de hardware.

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A disputa está muito acima dos smartphones

A crise de memória tem efeito cascata em toda a indústria de eletrônicos de consumo.

A TrendForce revisou sua projeção de crescimento do mercado de PCs de alta de 1,7% para queda de 2,6% em 2026, diretamente impactada pela escalada de preços de componentes.

Empresas como Lenovo e Acer já adotaram estratégias emergenciais de estocagem, com a Lenovo operando com estoques de DRAM 50% acima do normal como precaução. A Micron, por sua vez, chegou a descontinuar a linha de produtos de consumo Crucial para redirecionar capacidade para clientes corporativos e de IA.

A disputa pela LPDDR5 móvel em 2026 é, em última análise, uma consequ~encia de uma transformação mais profunda no setor de semicondutores: a memória, que por décadas foi um insumo comoditizado, tornou-se o recurso mais estratégico da indústria de tecnologia, e quem controla o acesso a ela controla o ritmo de lançamento de produtos dos rivais.

Fonte(s): Ming-Chi Kuo (X) e WCCFTech

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