Taiwan recusa pedido dos EUA para fabricar mais semicondutores em solo americano

O governo de Taiwan não concordará com a proposta do secretário de Comércio dos EUA de transferir 50% da produção de chips com destino aos EUA para o território americano. As informações são da Bloomberg.

Howard Lutnick, o secretário de Comércio Americano, mencionou a proposta em uma entrevista recente, afirmando que os EUA a levantaram para reduzir sua dependência de cadeias de suprimentos estrangeiras. A iniciativa se junta à aquisição de 10% da Intel por parte do Governo Americano.

Taiwan rejeitou rapidamente a proposta de 50-50, afirmando que não aceitaria essa divisão e que ela nem sequer fazia parte das negociações comerciais. “Esta questão não foi discutida nesta rodada de negociações e não concordaremos com tal condição”, disse Cheng Li-chun, vice-primeiro-ministro de Taiwan.

Ele acrescentou que Taiwan quer se concentrar em concessões em relação às tarifas iminentes da Seção 232.

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Riscos para a segurança

Créditos: TSMC e Pixabay.

O governo americano está investigando o nível de risco à segurança nacional que as importações de semicondutores representam para o país, de acordo com a Seção 232.

O presidente Donald Trump afirma estar considerando uma taxa de 200% ou até 300% sobre esses produtos. E isso impactaria negativamente grandes fornecedores, como a TSMC de Taiwan.

70% das exportações estão relacionadas a semicondutores e, embora os EUA já tenham imposto uma tarifa recíproca de 20% sobre produtos taiwaneses, chips e similares estão isentos. A isenção deve perdurar até o resultado da investigação da Casa Branca.

Também é importante destacar que Taiwan está transferindo, já, parte de sua produção para solo americano. Ainda neste ano, a TSMC iniciou a construção de uma terceira fábrica no Arizona.

Tensão entre aliados

Créditos: TSMC.

A recusa de Taiwan destaca a discussão de alto risco em andamento entre os dois aliados. Os EUA querem que mais chips dos quais precisam sejam produzidos em solo americano, afirmando ser inaceitável que a maioria dos semicondutores dos quais o país depende seja produzida em “uma ilha a 128 quilômetros da China continental”.

Da sua parte, Taiwan quer isenções da Seção 232 para sua principal exportação, bem como um acordo tarifário melhor e uma parceria econômica mais profunda entre Taipei e Washington.

A nação insular usa de sua posição global como principal fabricante mundial de semicondutores avançados como uma espécie de “escudo de silício”. Transferir mais de 50% da produção de chips com destino aos EUA da ilha para os Estados Unidos é um risco para o país.

Sem a produção local dos chips, a China deixa de ser tão dependente de Taiwan e, como resultado, aumentam as tensões na região e as chances de uma invasão. Ao menos, teoricamente. Além disso, se os EUA produzem a maioria dos chips em solo nacional, há receio de que eles não estejam tão dispostos a proteger a ilha.

Fonte: Bloomberg.

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