O Brasil é hoje um dos maiores mercados de videogames do mundo, ocupando posições de destaque no cenário global.
Segundo dados atualizados até 2023, o país é o nono maior mercado gamer do planeta e o mais relevante da América Latina, com receitas anuais que ultrapassam US$ 2,6 bilhões.
Essa dimensão econômica demonstra como os jogos eletrônicos se firmaram como forma de entretenimento de massa por aqui — um percurso que começou de maneira modesta ainda na década de 1970.
Origem dos jogos domésticos no Brasil
No final da década de 1970, a chegada de videogames às casas brasileiras foi fortemente influenciada por políticas públicas protecionistas.
Durante o regime militar, a política conhecida como Reserva de Mercado restringiu a importação de eletrônicos e de alta tecnologia, dificultando a entrada de consoles estrangeiros no país e criando um ambiente propenso para iniciativas locais ou licenciadas.
Assim, surgiram dispositivos que imitavam ou adaptavam tecnologias internacionais para uso nacional.
Qual foi o primeiro console lançado no Brasil?
O primeiro videogame lançado oficialmente no Brasil foi o Telejogo, apresentado ao mercado em 1977.
Fabricado pela Philco, então controlada pela Ford, o console chegou às lojas em plena vigência do regime militar, período marcado pela política de reserva de mercado e por severas limitações à importação de tecnologia.
Inspirado diretamente nas máquinas de Pong popularizadas pela Atari nos Estados Unidos, o Telejogo era um sistema dedicado, sem cartuchos, com jogos gravados na memória.
Seu funcionamento exigia conexão direta à televisão, normalmente pelos canais 3 ou 4, algo prático para os padrões da época. O design misturava madeira e metal, e os controles eram fixos no próprio corpo do aparelho, obrigando os jogadores a se reunirem em torno dele.
O Telejogo simbolizou a primeira vez em que o videogame deixou os fliperamas e passou a ocupar a sala de estar do brasileiro, ainda que de forma limitada e experimental
Linha do tempo dos primeiros consoles no Brasil
Veja uma visão cronológica dos consoles que marcaram a fase inicial do mercado brasileiro de videogames:
| Ano | Console | Fabricante | Características principais |
|---|---|---|---|
| 1977 | Telejogo | Philco/Ford | Jogos embutidos, controles fixos, inspirado em Pong |
| 1979 | Telejogo II | Philco/Ford | Controles destacáveis, maior número de jogos |
| 1983 | Odyssey | Philips | Primeiro com cartuchos no Brasil |
| 1983 | Atari 2600 | Gradiente | Popularização dos cartuchos e clones nacionais |
| 1989 | Master System | Tectoy | Consolidação do mercado doméstico |
| 1990 | NES | Gradiente | Entrada oficial da Nintendo no país |
Telejogo e seus jogos
O Telejogo original oferecia três jogos: Tênis, Futebol e Paredão. Todos compartilhavam a mesma base de jogabilidade, com variações visuais e pequenas mudanças nas regras. No Tênis, dois traços verticais rebatiam um quadrado que simulava a bola.
No Futebol, obstáculos no centro da tela alteravam a trajetória do objeto, criando uma dinâmica diferente. Já o Paredão permitia partidas solo, com o jogador enfrentando uma “parede” virtual.
Apesar da simplicidade, a proposta era avançada para o contexto brasileiro daquele período, quando fliperamas ainda eram raros fora dos grandes centros urbanos.

Telejogo II e a expansão da ideia
Em 1979, a Ford-Philco lançou o Telejogo II, uma evolução direta do modelo original. A principal mudança estava nos controles destacáveis, que tornavam as partidas entre duas pessoas mais confortáveis.
O número de jogos subiu para dez, incluindo variações como Hockey, Basquete e Tiro ao Alvo. Ainda assim, todos permaneciam baseados na mesma lógica visual e mecânica.
O sucesso do Telejogo II estimulou outras empresas nacionais a investir em aparelhos semelhantes, dando origem a uma série de consoles dedicados conhecidos popularmente como “TV-Jogos”.
A chegada dos cartuchos e a virada do mercado
A grande transformação do mercado brasileiro ocorreu com a chegada do Odyssey, no início dos anos 1980. Diferentemente do Telejogo, ele utilizava cartuchos, permitindo trocar jogos e ampliar a vida útil do console. Curiosamente, o modelo vendido no Brasil já correspondia à segunda versão lançada no exterior.
Pouco depois, o Atari 2600 passou a ser comercializado oficialmente pela Gradiente, em 1983.

Mesmo antes disso, o aparelho já era conhecido graças ao contrabando e à proliferação de clones nacionais, como Dynavision e VJ-9000, que ajudaram a difundir o formato no país.
Por que o Telejogo saiu de cena?
O declínio do Telejogo aconteceu de forma gradual. A limitação técnica dos sistemas com jogos fixos, somada ao avanço dos consoles baseados em cartuchos, reduziu rapidamente sua atratividade
. Outro fator decisivo foi a mudança no controle da Philco, quando a Ford vendeu a empresa para a japonesa Hitachi, que optou por não investir no segmento de videogames no Brasil.
Com isso, o Telejogo deixou de ser atualizado e perdeu espaço para plataformas mais flexíveis e duradouras.
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A evolução do mercado nacional e o caminho até os anos 1990
A partir do final dos anos 1980, o mercado brasileiro entrou em uma nova fase. Consoles como o Master System e o Nintendo Entertainment System transformaram o hábito de jogar em casa, com catálogos mais variados e campanhas de distribuição estruturadas.
O período abriu caminho para gerações seguintes, como Mega Drive, Super Nintendo e PlayStation, estabelecendo definitivamente o videogame como parte do cotidiano cultural brasileiro.
O que começou com um console simples, ligado à TV por um seletor de canais, tornou-se uma das indústrias de entretenimento mais relevantes do país.
Fonte(s): Wikipédia


