A quantidade de brasileiros que deixaram de realizar compras internacionais aumentou 192% em pouco mais de um ano. Segundo a pesquisa Retratos do Brasil, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) à Nexus, o número de consumidores que desistiram de importar produtos saltou de 13% em 2024 para 38% em outubro de 2025, impulsionado pela chamada “taxa das blusinhas”.
O levantamento, que ouviu 2.008 pessoas entre 10 e 15 de outubro, analisou o impacto da cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre encomendas de até US$ 50. A medida, que entrou em vigor em agosto de 2024, alterou profundamente os hábitos de compra online no país e reduziu o interesse por sites estrangeiros como Shein, Shopee e AliExpress.
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Tributo muda comportamento de compra
A nova tributação fez muitos brasileiros repensarem o custo-benefício das compras fora do país. Segundo a CNI, o percentual de consumidores que passaram a buscar alternativas nacionais cresceu de 22% para 32%, enquanto a desistência definitiva — sem busca por substitutos — caiu de 58% para 42%.
Os dados sugerem que o consumidor brasileiro se tornou mais seletivo, comparando preços e avaliando melhor os gastos com taxas e prazos de entrega. Esse movimento ganhou força após debates no Congresso sobre possíveis ajustes na tributação, como a discussão em comissão sobre a isenção de imposto em compras internacionais de até US$ 50.
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Frete e ICMS pesam nas decisões
Além da “taxa das blusinhas”, o custo do frete internacional e o ICMS estadual continuam sendo grandes barreiras. O número de pessoas que desistiram de comprar por causa do ICMS subiu de 32% para 36%, enquanto 45% abandonaram o carrinho devido ao preço do envio, um aumento de cinco pontos percentuais em relação a 2024.
O tempo de entrega também influencia: 32% desistiram de concluir pedidos ao perceberem prazos longos, especialmente entre consumidores com ensino superior e renda acima de cinco salários mínimos.
Esses números refletem a queda nas importações de pequeno valor, que atingiram o menor patamar desde 2021, conforme mostrado em levantamento recente sobre o impacto do imposto de importação em compras de baixo valor.
Jovens e formados são os mais afetados
A pesquisa mostra que o impacto das novas tributações sobre compras internacionais atingiu de forma mais intensa grupos com maior escolaridade e renda. Jovens e profissionais qualificados, que antes lideravam o consumo em sites estrangeiros, agora estão entre os que mais abandonam o carrinho.
- O comportamento mostra que o público mais conectado e com maior poder aquisitivo foi o primeiro a recuar diante das novas taxas.
- Pessoas com ensino superior lideram o grupo que mais desistiu das compras internacionais, com 51%.
- Entre os jovens de 16 a 40 anos, a taxa de desistência alcança 46%.
- Consumidores com renda acima de cinco salários mínimos também sentiram o impacto, chegando a 45%.
- A região Nordeste aparece entre as mais afetadas, com 42% dos entrevistados deixando de importar.
Aumento da busca por produtos nacionais
Com a queda nas importações, o comércio local começou a ser beneficiado. O levantamento revela que mais brasileiros estão optando por adquirir produtos semelhantes de fornecedores nacionais — seja em e-commerces brasileiros ou lojas físicas.
Segundo a CNI, esse movimento representa uma “oportunidade de reindustrialização leve”, já que incentiva o consumo interno e melhora a percepção de qualidade dos produtos nacionais.
Uso pessoal domina importações
Apesar da popularidade das compras internacionais, a grande maioria dos brasileiros utiliza os produtos adquiridos para consumo próprio. O levantamento revela que a prática de revenda é rara e que o perfil de quem importa prioriza conveniência e preço, não lucro.
- O dado indica que o impacto da “taxa das blusinhas” afeta sobretudo o consumo cotidiano, não o comércio informal.
- Três em cada quatro brasileiros (75%) afirmaram que compram produtos apenas para uso pessoal.
- Entre os idosos acima de 60 anos, esse índice sobe para 90%.
- Apenas 10% realizam importações para uso profissional, principalmente homens e pessoas de alta renda.
- A revenda é uma prática mínima, representando apenas 2% dos casos.
“Taxa das blusinhas” e impacto econômico
A “taxa das blusinhas” foi implementada em agosto de 2024 por meio da Medida Provisória 1.236/2024. O nome popular surgiu após a explosão de compras de roupas baratas durante a pandemia. Antes da medida, essas compras eram isentas do imposto federal, pagando apenas o ICMS.
Para a indústria nacional, o resultado da pesquisa é considerado positivo, mesmo que o efeito sobre a economia ainda seja moderado. “O imposto trouxe uma dose de racionalidade ao consumo. O brasileiro está repensando se vale a pena pagar menos no produto e mais no frete e nas taxas”, afirma Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI.
Fonte: CNI


