É época de carnaval, a galera está curtindo, mas nós decidimos aproveitar de um jeito um pouco diferente: procurando confusão.
Volta e meia, especialmente em lançamentos de jogos pesados, a internet é tomada por um assunto clássico. As manchetes logo gritam que uma placa de vídeo de R$ 20.000 não consegue segurar 60FPS em um lançamento. Nos comentários, o pessoal adora tirar onda de quem comprou uma Geforce RTX 5090, questionando o sentido de a placa mais potente do mercado não dar conta do recado.
- MindsEye sofre para chegar aos 60 FPS em uma RTX 5090; devs prometem melhorias
- The Outer Worlds 2 com ray tracing não atinge 60 FPS nem em 540p com RTX 5090 e Ryzen 9800X3D
Mas é aí que tenho que discordar. Na verdade, uma RTX 5090 não deve conseguir rodar o jogo na configuração mais potente, e está tudo bem. Acho que o ajuste gráfico máximo disponível em um jogo tem mesmo que quebrar todos os hardwares existentes.
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O Teste de Fogo: Doom The Dark Ages a 30 FPS
Para provar nosso ponto, colocamos Doom: The Dark Ages parar rodar em uma máquina sonho de consumo de qualquer gamer, nosso PC de Gameplays do Adrenaline, recentemente atualizado com um novo gabinete. As peças incluem:
- Placa de vídeo: Nvidia GeForce RTX 5090 Founders Edition
- Processador: AMD Ryzen 9 9950X3D
- Placa-mãe: Gigabyte Aorus X870 Elite WIFI7
- Liquid cooling: Corsair H150 RGB
- Memórias RAM: 2x16GB Corsair Vengeance @5600MHz CL36
- SSDs: 1TB Kingston NV3 + 4TB Team Group T-Force G70 Pro
- Fonte: Corsair RM1200x
- Gabinete: Corsair 4500X
Rodando o jogo na melhor configuração possível, em 4K nativo (puro DLAA, sem escala de resolução ou DLSS), a placa entrega suados 30 frames. Ao ver isso, o pensamento imediato é de frustração por gastar tanto dinheiro para jogar a 30 FPS.
No entanto, há um contexto importante. Quando o jogo foi lançado originalmente, uma RTX 5070 já era suficiente para exceder as melhores configurações gráficas disponíveis na época. O jogo passou a “esmagar” a 5090 apenas depois de uma atualização que adicionou o Path Tracing, uma tecnologia de Ray Tracing com configurações muito mais avançadas.
Agora o jogo está pior porque não roda na RTX 5090? Pelo contrário. Antes, todos que tinham uma RTX 5070 Ti ou superior, não tinham muito como explorar essa performance extra que possuem. Agora, podem usar a performance opressora de seus hardwares para renderizar o extremamente pesado Path Tracing, e ter melhorias nos gráficos.
O jogo roda pior, mas na realidade está mais otimizado para a galera com bazukas como placas de vídeo.
E não é que não dá pra jogar na RTX 5090. Se ativarmos o modo de desempenho do DLSS, o jogo passa tranquilamente para a casa dos 80 FPS. Mas o ponto de fazermos a placa “sofrer” com a configuração mais pesada possível serve para um argumento maior.
O Conceito de “Future-Proofing”
O fato do jogo estar tão pesado não significa que a id Software foi preguiçosa ou que o título é mal feito. Pelo contrário, o jogo é mais otimizado hoje do que era antes de receber o Path Tracing.
A grande sacada é que as desenvolvedoras devem abraçar o conceito de future-proofing, ou à prova do futuro, em tradução livre: os jogos deviam incluir configurações gráficas com níveis de ajuste que os hardwares de hoje simplesmente não dão conta de rodar.
O Path Tracing, por exemplo, faz uma quantidade tão absurda de traços de raio que pode até fazer a GeForce RTX 5090 sofrer.
No entanto, daqui a alguns anos, futuras placas de vídeo (como uma RTX 6090, RTX 7090, ou até uma RTX 7070, vai saber o salto em RT que novas placas podem trazer) conseguirão rodar o Path Tracing sem dificuldades.
Isso garante que o jogo vai envelhecer super bem, permitindo que os jogadores do futuro tirem total proveito da potência extra das novas placas, mesmo visitando o game com anos de atraso.
O jogo estar quebrado numa RTX 5090 na configuração mais avançada, é bom. Isso é uma boa otimização.
A Verdadeira Otimização: Rodando da RTX 5090 até uma “batata”
Para comprovar que o jogo é, de fato, um milagre da otimização, fizemos o teste inverso. Desconectamos a RTX 5090 e forçamos o jogo a rodar no vídeo integrado do processador Ryzen 9 9950X3D.
Esses gráficos integrados contam com apenas duas unidades computacionais RDNA, projetadas pela AMD basicamente para o usuário “rodar planilhas” e dar vídeo no monitor. O resultado?
Colocamos o jogo na configuração “abaixo do baixo”, em uma resolução sub-HD de 1128×634. Utilizamos o FSR no modo que apelidamos de “ultra desespero”, mas é o ultradesempenho, que renderiza 3x menos pixels que a resolução final. Que já não era alta.
Mesmo sendo um hardware minúsculo, o jogo conseguiu entregar quase 30 frames, e dá pra quase dizer que é jogável. Não vai dar pra apreciar corretamente Doom The Dark Ages, mas tecnicamente, jogamos nele.
Se um jogo consegue oferecer uma configuração gráfica tão avançada a ponto de fazer a RTX 5090 chorar, mas ao mesmo tempo é flexível o suficiente para rodar de forma competente em um hardware extremamente básico, e de quebra ainda tiver um bom meio do caminho ali, com bons gráficos para vários perfis intermediários de hardware, isso sim é um jogo otimizado.
A frustração de comprar a melhor placa de vídeo do mercado e não conseguir colocar todos os “sliders” pra direita acaba sendo apenas um problema de ego. Não devemos considerar um jogo ruim só porque ele não roda com tudo no máximo em uma RTX 5090, especialmente quando ele consegue rodar no gráfico integrado de um processador. E nem é um bom gráfico integrado.
