Manifestantes contra Israel ocupam escritório do presidente da Microsoft

Uma semana após manifestantes do grupo No Azure for Apartheid iniciarem protestos na principal sede da Microsoft, eles conseguiram invadir o escritório de seu presidente, Brad Smith. Na última terça-feira (23), membros do grupo transmitiram a ação ao vivo através da plataforma Twitch.

Como consequência, a corporação decidiu bloquear o acesso ao Prédio 34, onde se encontra a sala ocupada pelo executivo. Os manifestantes aproveitam a ocasião para acusar Smith de apoiar o genocídio do povo palestino em Gaza, afirmando que ele deveria responder por “crimes contra a humanidade”.

Segundo o The Verge, a invasão ao escritório da Microsoft foi organizada pelos ex-funcionários Vaniya Agrawal, Hossam Nasr e Joe Lopez. Além disso, Riki Fameli e Anna Hattle, que ainda trabalham para a companhia, também estiveram envolvidos na ação, que resultou em suas prisões temporárias — e deve fazer com que eles sejam demitidos.

Protestos exigem que Microsoft corte laços com Israel

No X, os membros do No Azure for Apartheid também divulgaram fotos de protestos realizados em frente às casas de Smith e do CEO da Microsoft, Satya Nadella. Segundo ele, os dois estão lucrando com uma guerra injusta ao oferecer acesso a tecnologias que facilitam a vigilância e o extermínio de um povo inteiro.

Satya, Brad e todos os executivos da Microsoft, nossas demandas são altas e claras: cortem laços com Israel, exijam o fim do genocídio e da fome forçada, paguem reparações aos palestinos, e acabem com a repressão aos trabalhadores com consciência”, declarou o grupo. “SEM JUSTIÇA, SEM PAZ! Sem Azure para o Apartheid”.

Segundo uma reportagem do The Guardian, Nadella se encontrou em 2021 com o chefe da Unidade 8200 do exército de Israel para iniciar uma operação de vigilância sem precedentes. Isso resultou na criação de uma área especial dos servidores da Azure localizados na Europa, onde passaram a ser armazenados dados de todas as ligações telefônicas feitas em Gaza.

Vice-presidente da empresa comenta o caso

A publicação afirma que documentos internos da Microsoft revelam que o exército israelense é capaz de ouvir e gravar todas as comunicações palestinas, incluindo aquelas feitas por civis. Esses dados servem como base para a realização de ataques aéreos e outras ações que já resultaram na morte de várias pessoas.

Foto: Reprodução/GeekWire/Todd Bishop

Em uma coletiva de imprensa, Smith afirmou que a invasão não era necessária e “distrai dos diálogos reais” que precisam acontecer. Ele também afirmou que algumas das informações do The Guardian são verdadeiras, mas outras não, e uma avaliação interna está sendo conduzida no momento. Para completar, ele prometeu que a corporação vai revisar suas políticas de segurança interna diante do que aconteceu.

Fonte: The Verge, The Guardian, GeekWire

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