A montagem de computadores enfrenta um novo vilão no orçamento e não é de hoje. Porém, o quebra-cabeça cada dia fica mais claro: a HP revelou que com o custo da memória RAM em PCs disparando, o valor passou a representar cerca de 35% do valor total de materiais (Bill of Materials) de seus produtos, praticamente o dobro do registrado no ano anterior.
O cenário coloca lenha na fogueira na cadeia de suprimentos, impulsionada pela demanda voraz da infraestrutura de IA.
A confirmação veio durante a conferência de resultados do primeiro trimestre fiscal de 2026 da empresa. Karen Parkhill, CFO da HP, detalhou a gravidade da situação:
Compartilhamos no último trimestre que os custos de memória e armazenamento representavam cerca de 15% a 18% da nossa conta de materiais de PC. Agora, estimamos que isso esteja em cerca de 35% para o ano
Karen Parkhill, CFO da HP
O impacto da IA na cadeia de suprimentos
É claro, o aumento vertiginoso nos preços não é um caso isolado da HP. A indústria toda enfrenta uma escassez de componentes voltados para o consumidor final, uma vez que fabricantes de memória — como a Micron e a Samsung — redirecionaram grande parte de sua produção para atender aos data centers e servidores de IA.
O movimento criou um desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado de hardware doméstico. Segundo Bruce Broussard, CEO interino da Hewlett-Packard, a empresa acredita que o mercado deve se “racionalizar com o tempo”, mas as perspectivas de curto prazo exigem medidas imediatas.
Vimos os custos de memória aumentarem cerca de 100% sequencialmente e prevemos que aumentem ainda mais à medida que avançamos no ano fiscal
Para o consumidor, o valor chega a galope: preços mais altos nas prateleiras e, possivelmente, configurações mais modestas. A executiva confirmou que parte da resposta da empresa será o repasse desses custos através de aumentos de preço nos produtos finais.

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Estratégias para mitigar a crise
Para tentar blindar suas margens de lucro sem afugentar completamente os consumidores, a HP está adotando táticas agressivas de gestão de suprimentos. Broussard afirmou que a companhia está adicionando novos fornecedores e expandindo a busca por fontes de memória de menor custo.
Além disso, a empresa reduziu pela metade o tempo necessário para qualificar novos materiais, acelerando mudanças na configuração dos produtos.
Ketan Patel, presidente da divisão de Personal Systems da HP, indicou que a diversidade de Silício (processadores Intel e AMD) e a oferta de configurações com menos memória são caminhos para equilibrar a equação de oferta e demanda.
“Queremos garantir a introdução de configurações de baixa memória”, disse Patel, sugerindo que PCs de entrada podem ver uma estagnação ou redução na quantidade de RAM instalada para manter preços atrativos.
Apesar dos desafios, a divisão de Sistemas Pessoais da HP reportou uma receita de US$ 10,3 bilhões (cerca de R$ 52,9 bilhões na cotação atual, sem impostos) no trimestre, um aumento de 11% em relação ao ano anterior.
A empresa nota uma demanda forte por “AI PCs”, que já representam 35% de suas vendas, contrariando certas tendências de mercado que apontavam ceticismo dos consumidores quanto à utilidade real da IA em computadores pessoais.
Fonte(s): HP


