Haddad justifica imposto em mil produtos: “não tem impacto em preço”

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, saiu em defesa, na quarta-feira (25), do aumento do imposto de importação aplicado pelo governo federal sobre mais de mil produtos — entre eles smartphones e equipamentos industriais. A decisão, tomada no início de fevereiro pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), elevou as alíquotas em até 7,2 pontos percentuais. Segundo Haddad, o objetivo é regulatório: “proteger a produção nacional” de concorrentes estrangeiros que vendem abaixo do custo.

O ministro afirmou que mais de 90% dos itens incluídos na lista já são fabricados em território brasileiro, o que, na avaliação do governo, afasta qualquer risco de aumento de preços para o consumidor. “Não tem impacto em preço, é uma mentira o que estão falando, que isso vai encarecer, porque os produtos são feitos aqui”, disse Haddad em entrevista na porta do Ministério da Fazenda.

Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Na visão do ministro, a medida tem alvo bem definido: empresas estrangeiras que despejam no Brasil produtos similares aos fabricados localmente com preços artificialmente baixos — prática conhecida como dumping. O argumento do governo é que essas companhias estariam redirecionando ao Brasil o excesso de produção que não conseguiram vender na Europa e nos Estados Unidos.

“Uma empresa asiática que está jogando o seu produto aqui abaixo do custo porque não está conseguindo vender na Europa e nos Estados Unidos — aí não. Ou você vem para cá produzir aqui, ou você não vai poder concorrer nessa base de preço”, exemplificou o ministro.

Haddad também destacou que a norma não é irreversível. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) pode revisar ou até zerar as tarifas caso seja confirmada a ausência de produto similar fabricado no Brasil, dando ao mecanismo um caráter mais cirúrgico do que permanente.

Impacto nos smartphones

No setor de celulares, o governo garante que o impacto será mínimo para a maioria dos consumidores. Segundo o MDIC, 95% dos smartphones vendidos no Brasil em 2025 já são produzidos em território nacional — principalmente na Zona Franca de Manaus. Como a nova alíquota também incide sobre eletrônicos como CPUs, memórias RAM e GPUs, a lista de itens afetados é mais ampla do que parece à primeira vista.

Entre as marcas de celulares, a situação é a seguinte:

MarcaAfetada pelo imposto?
AppleNão
SamsungNão
MotorolaNão
XiaomiSim
JoviNão
RealmeNão
OppoNão

A principal prejudicada é a Xiaomi, única grande fabricante que não produz no Brasil. A decisão também mantém tarifa zero para componentes importados sem similar nacional, medida estratégica para não onerar a cadeia produtiva local.

Outros produtos afetados

A lista de mais de mil itens vai bem além dos celulares. Entre os produtos com alíquotas elevadas estão:

  • Torres, pórticos e reatores nucleares
  • Caldeiras, geradores e turbinas para embarcações
  • Motores para aviação e bombas de combustível
  • Fornos industriais, congeladores e centrifugadores
  • Robôs industriais, empilhadeiras e tratores
  • Máquinas de impressão e cartuchos de tinta
  • Aparelhos de ressonância magnética e tomógrafos
  • Equipamentos odontológicos e laboratoriais
  • Plataformas de perfuração, navios e navios de guerra

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Parte das novas alíquotas já entrou em vigor; o restante passa a valer a partir de março. O setor importador e a oposição criticam a medida, alertando para riscos inflacionários e perda de competitividade de empresas que dependem de compras internacionais.

R$ 14 bilhões no caixa

Embora o governo classifique a iniciativa como regulatória e não fiscal, os efeitos sobre a arrecadação são expressivos. A expectativa é que a elevação das tarifas gere R$ 14 bilhões adicionais aos cofres públicos neste ano — valor que contribuiria para o cumprimento da meta fiscal de 2026, que prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões.

Haddad rejeita a leitura de que o objetivo principal seja arrecadatório. Para o ministro, trata-se de uma política industrial e comercial voltada a atrair investimentos produtivos para o Brasil. “Qual é o objetivo? Trazer essa empresa para o território nacional. Então não tem impacto, a não ser na proteção da produção nacional”, reforçou.

Fonte: g1

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