O governo federal anunciou nesta sexta (27) um recuo na decisão de elevar as tarifas de importação para diversos equipamentos de tecnologia, incluindo eletrônicos e equipamentos de hardware.
A medida, tomada pelo Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) após repercussão negativa no setor produtivo e entre consumidores, efetiva a redução imposto eletrônicos em relação aos novos patamares estipulados no início do mês, retomando as alíquotas originais para itens como placas-mãe, SSDs e notebooks.
A decisão anula o aumento que elevaria a taxação em até 7,2 pontos percentuais para determinados produtos. Com a revogação, as tarifas foram zeradas novamente para 105 itens (focados em bens de capital) e retornaram aos níveis anteriores para 15 categorias de produtos de informática e telecomunicações.
O ajuste inicial das alíquotas foi proclamado sob a alegação de proteger a indústria doméstica e gerar R$ 14 bilhões adicionais em receita, diante do expressivo crescimento das importações
Alíquotas retomadas para o hardware
Para o entusiasta de hardware e montadores de computadores, a mudança traz um alívio imediato na formação de preços dos componentes importados, principalmente em placas-mãe. A elevação prevista também levaria a tributação de smartphones, por exemplo, de 16% para 20%.
Com o recuo, a estrutura tarifária volta ao status anterior. Confira as alíquotas de importação restabelecidas para as principais categorias:
- Notebooks: 16%
- Smartphones: 16%
- Placas-mãe: 10,80%
- SSDs (Unidades de estado sólido): 10,80%
- Gabinetes com fonte: 10,80%
- Periféricos (mouses/trackballs): 10,80%
- Mesas digitalizadoras: 10,80%
A expectativa do governo era arrecadar cerca de R$ 14 bilhões adicionais em 2026 com a medida original. Segundo nota técnica do Ministério da Fazenda divulgada anteriormente, o aumento visava proteger a indústria nacional contra um crescimento acumulado de 33,4% nas importações de bens de capital e informática desde 2022.
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Burburinho no mercado e competitividade
Representantes de importadores e do varejo de tecnologia argumentaram que a indústria brasileira não possui capacidade produtiva para suprir a demanda interna de componentes de alta performance, por isso não faz sentido tamanho protecionismo.
A manutenção das taxas mais altas poderia resultar em repasse imediato ao consumidor final e obsolescência tecnológica do parque instalado no país.
Embora a revogação impeça o aumento abrupto de preços projetado para março, o cenário econômico exige atenção. A variação cambial continua sendo o principal fator de pressão sobre o custo de placas de vídeo e processadores.
A decisão desta sexta-feira mantém a competitividade de produtos importados legalmente frente ao mercado cinza, mas o cumprimento da meta fiscal do governo para o ano torna-se mais desafiador sem a receita extra projetada.
Fonte(s): G1


