Uma parte importante do Steam, seus campos de reviews e comunidades se tornaram verdadeiros “campos de batalha na guerra cultural”. Essa descrição é feita por vários desenvolvedores entrevistas pelo The Guardian, que reclamam da falta de moderação da Valve e das dificuldades que encontram ao procurar por apoio da empresa.
Segundo eles, a decisão da empresa de automatizar seus recursos de moderação e outros aspectos da loja estão prejudicando tanto criadores quanto consumidores. Ao entrar nos fóruns de discussão, é comum encontrar ambientes tóxicos e com mensagens que violam frequentemente os termos de uso da plataforma.
A designer Nathalie Lawhead explica que dedicou quase dois anos a uma tentativa de remover do Steam dois reviews negativos e agressivos feitos para Tetrageddon Games. Ambos fazem referência a um caso de abuso sexual pelo qual a desenvolvedora passou, mas, mesmo assim, foram considerados aceitáveis pela moderação automatizada do Steam.
Steam não exige o respeito às próprias regras
Apesar de as regras do Steam proibirem o uso de “linguagem abusiva ou insultos” ou de discriminação pública, na prática ambos são elementos comuns de suas páginas. Mesmo quando denúncias em massa são feitas, a plataforma costuma proteger alguns desses conteúdos ao afirmar que, ao fazer o contrário, estaria exercendo uma espécie de censura.
Ao The Guardian, desenvolvedores afirmaram que se tornaram comuns campanhas de assédio direcionadas a games com elementos LGBTQ+. No caso de Caravan Sandwich, por exemplo, a mera inclusão do título em uma lista “No Woke” foi suficiente para que sua página de comunidade fosse invadida por tópicos acusando seus desenvolvedores de serem preconceituosos e “apoiarem assassinatos”.
“A recusa do Steam de moderar qualquer coisa está transformando os reviews e fóruns do Steam em um campo de batalha para alguma espécie de guerra cultural”, explicou a desenvolvedora Émi Lefèvre. “E isso os torna inseguros para pessoas marginalizadas e jogadores normais que simplesmente estão tentanto aproveitar o que compraram”.
Como forma de lidar com a questão, muitos desenvolvedores decidiram contratar equipes de moderação próprias, na falta de ações da Valve. Questionada pelo The Guardian, a companhia não comentou o assunto, tampouco esclareceu se pretende tomar alguma medida para lidar com os problemas relatados pelos criadores que vendem seus games na loja.
Fonte: The Guardian


