EUA abandonam projeto que exigiria aval do governo para exportar chips de IA

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos retirou, na última sexta-feira (13), um projeto de regulamentação que restringiria as exportações de chips de inteligência artificial para qualquer parte do mundo sem aprovação prévia do governo americano. A medida foi confirmada por notificação no site do Escritório de Gestão e Orçamento (OMB).

A proposta havia sido enviada ao OMB para revisão interagências no fim de fevereiro e era vista como o passo mais concreto da administração Trump em direção a uma estratégia global de exportação de chips de IA. Com a retirada, empresas como Nvidia e AMD respiram aliviadas diante de um possível enrijecimento nas regras de comércio exterior.

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O QUE DIZIA A PROPOSTA

A minuta, que chegou à sua sexta iteração dentro do Departamento de Comércio, previa que compradores estrangeiros precisassem obter licenças do governo americano para adquirir chips de IA. O documento de 129 páginas foi comparado por fontes da indústria ao “diffusion 2.0”, referência ao regime de controles do governo Biden, criticado por ser restritivo e prejudicial à competitividade americana.

As principais condições previstas no texto eram:

  • Até 100 mil chips: exigência de garantias governo a governo como condição para exportação
  • A partir de 200 mil chips: necessidade de investimentos estrangeiros em data centers nos EUA ou garantias adicionais de segurança
  • Chips da Nvidia e AMD: sujeitos a análises caso a caso pelo escritório de licenciamento do Departamento de Comércio
  • Fatores de aprovação: acordos bilaterais e volume de poder computacional solicitado pelo usuário final

CASA BRANCA E COMÉRCIO EM ROTA DE COLISÃO

A proposta gerou atrito interno antes mesmo de ser tornada pública. Um alto funcionário da Casa Branca disse que o rascunho “não reflete o que o presidente Trump disse sobre controles de exportação, nem a direção da administração Trump no incentivo à exportação da pilha de IA americana”.

Outro funcionário classificou o documento como “um conjunto muito, muito preliminar de ideias”, reforçando o distanciamento da cúpula do governo em relação à minuta. O Departamento de Comércio também se posicionou, afirmando que “não voltará” à regra de difusão de IA da administração Biden, descrita como “onerosa, excessiva e desastrosa”.

A declaração reforça a linha adotada pelo governo Trump desde que assumiu: promover exportações de tecnologia americana, num setor onde a disputa global por semicondutores segue mais acirrada do que nunca.

CHIPS COMO TRUNFO DIPLOMÁTICO

Para o governo Trump, os chips de IA são vistos menos como um risco de segurança nacional e mais como uma moeda de troca em negociações bilaterais. A estratégia ficou evidente nos acordos com Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, onde ambos garantiram acesso a chips americanos em troca de investimentos em infraestrutura de dados nos EUA.

PaísContrapartida exigida
Arábia SauditaInvestimento em data centers nos EUA
Emirados Árabes UnidosInvestimento em data centers nos EUA
Demais países (até 100 mil chips)Garantias governo a governo
Demais países (200 mil chips ou mais)Garantias de segurança + investimento em infraestrutura

O Departamento de Comércio publicou no X, em 5 de março, que está “comprometido em promover exportações seguras da pilha tecnológica americana”. A retirada da proposta indica que o modelo de acordos bilaterais tende a prevalecer sobre um sistema centralizado de licenciamento.

VÁCUO REGULATÓRIO E PRÓXIMOS PASSOS

Com a minuta descartada e a regra Biden já revogada, o mercado de exportação de chips de IA opera sem uma estrutura regulatória clara. Fontes ouvidas pela Reuters apontaram que o recuo reflete divergências internas sobre como equilibrar supremacia em IA com preocupações de segurança nacional.

A Bloomberg News, que primeiro reportou a existência da minuta, já havia alertado que o documento poderia ser arquivado. O setor acompanha de perto discussões como a possível isenção de tarifas para importações de chips de Taiwan, que também impactam a cadeia global de semicondutores. O mercado aguarda se o governo Trump formalizará o modelo de acordos bilaterais como política oficial.

Fonte: Reuters

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