Após Gore Verbinski, diretor dos três primeiros Piratas do Caribe, criticar o uso da Unreal Engine no cinema, a Epic Games decidiu respondê-lo publicamente. Segundo a empresa, profissionais que trabalham com efeitos especiais ficariam muito felizes caso tivessem o software à sua disposição na época que os longas foram criados.
Em um e-mail enviado à PC Gamer, a companhia afirmou que é “errado afirmar que uma única ferramenta pode ser culpada por algumas percepções equivocadas sobre o estado dos efeitos visuais e da computação gráfica”. Ao mesmo tempo, ela reconhece que, em um cenário no qual mais pessoas estão usando a ferramenta, aumentam as chances de vermos produtos de baixa qualidade.
“Mas a estética e o cuidado vêm dos artistas, não do software”, complementa a dona da Unreal Engine. A mensagem é assinada por Patrick Tubach que, antes de se unir à Epic em 2022 para supervisionar seu departamento de efeitos visuais, trabalhou durante um longo tempo na Industrial Light & Magic — participando de projetos como os Piratas do Caribe dirigidos por Verbinski.
Unreal Engine teria ajudado muitos profissionais
Segundo Tubach, a Unreal Engine é usada no cinema para ajudar na visualização prévia de cenas, produções virtuais e, em alguns casos, nos pixels finais. “Posso garantir que os artistas trabalhando em grandes filmes com efeitos visuais como Piratas do Caribe há 10 ou 15 anos atrás só poderiam sonhar com uma ferramenta tão poderosa em suas mesas para ajudá-los a fazer o trabalho — e eu sei bem disso — eu era um deles!”, afirmou.
Para Verbinski, os principais problemas da tecnologia estão relacionados à maneira como ela lida com a iluminação. Segundo o diretor, sua popularização fez com que muitos filmes ganhassem “visuais de videogame”, que não funcionam muito bem em projetos que focam no fotorrealismo.
Lançado em 2006, Piratas do Caribe: O Baú da Morte é até hoje uma referência em efeitos visuais. Vencedor da categoria de Melhores Efeitos Visuais do Oscar, o longa misturou capturas de movimento, simulações em camadas e efeitos práticos para criar elementos impressionantes — com destaque para seu vilão principal, Davy Jones.

Ao direcionar suas críticas à Unreal Engine, Verbinski parece ignorar que a popularização da tecnologia acontece dentro de um contexto mais amplo. Embora ela seja poderosa, não consegue compensar sozinha questões como reduções em tamanhos de equipes e prazos cada vez mais apertados para a entrega de projetos finalizados — o que, em parte, é resultado do aumento do número de filmes que usam a computação gráfica de forma exagerada.
Fonte: PC Gamer


