A Intel vai à Computex 2026, em Taipei, com algo que não conseguia montar há uma década: um produto em cada categoria de computação fabricado em uma única narrativa de manufatura. O
CEO Lip-Bu Tan apresenta o keynote no dia 2 de junho, das 13h30 às 14h30 no horário local, e o anúncio oficial foi feito pela própria companhia em Santa Clara nesta última tera (5).
A linha começa nos notebooks com o Panther Lake, lançado em janeiro como Core Ultra Série 3. Avança para handhelds gamer com a plataforma Arc G3. Inclui um preview do Nova Lake, o desktop de até 52 núcleos com novo soquete que chega no fim do ano.
E fecha com o Clearwater Forest, processador Xeon de 288 núcleos que estreou no MWC em março. Todos compartilham um denominador comum: o processo de fabricação 18A.
Panther Lake chega aos handhelds com Arc G3
O Panther Lake já roda em mais de 200 designs de notebook desde a CES, e a Computex marca a expansão da arquitetura para o mercado de portáteis para jogos.
As novas variantes Arc G3 e Arc G3 Extreme trazem 14 núcleos divididos em 2 P-cores, 8 E-cores e 4 núcleos de baixo consumo, combinados a uma GPU Xe3 com 10 ou 12 unidades de execução. O envelope térmico é configurável entre 25 e 80 Watts.
A própria Intel confirmou que o roadmap inclui uma plataforma completa para handhelds em torno do Panther Lake. MSI, OneXPlayer, GPD e Acer devem mostrar dispositivos com os novos chips, e há rumores de que um portátil com a marca Xbox da Microsoft também aparecerá no evento.
A geração entrega 180 TOPS de IA somando CPU, NPU 5 e GPU Xe3, com a GPU sozinha respondendo por 120 TOPS e a NPU por 50 TOPS. O ganho multi-thread em relação ao Lunar Lake fica em 60% no mesmo nível de consumo.
Nova Lake aparece em preview com 52 núcleos e novo soquete
O Nova Lake, batizado como Core Ultra Série 4, é a aposta para retomar a relevância no segmento desktop após o desempenho decepcionante do Arrow Lake.
A nova plataforma escala de 8 a 52 núcleos usando dois tipos de núcleo, Coyote Cove (performance) e Arctic Wolf (eficiência), e estreia o soquete LGA 1954.
| Categoria | Produto | Núcleos | Status |
|---|---|---|---|
| Notebooks | Panther Lake (Core Ultra Série 3) | até 16 | Lançado em janeiro |
| Handhelds | Arc G3 / G3 Extreme | 14 (2P + 8E + 4LP) | Estreia no Computex |
| Desktops | Nova Lake (Core Ultra Série 4) | 8 a 52 | Preview |
| Servidores | Clearwater Forest (Xeon 6+) | até 288 E-cores | Lançado no MWC em março |
A linha desktop integra GPU Xe3, Thunderbolt 5 e Wi-Fi 7, com TDP entre 35 e 175 Watts. A novidade arquitetural é o que a Intel chama de bLLC (big last level cache), uma resposta direta ao formato X3D da AMD que prioriza manter dados próximos dos núcleos via cache L3 generoso.

Há um detalhe importante: mais de 90% dos compute tiles do Nova Lake serão fabricados pela TSMC no nó N2, e não nas próprias fábricas da Intel. A capacidade interna de 18A ainda não comporta atender demanda própria e clientes externos ao mesmo tempo, segundo levantamentos da indústria.
Vale lembrar que rumores recentes apontam um possível adiamento da estreia oficial para a CES 2027.
Clearwater Forest cobre o servidor com 288 núcleos em 18A
O Clearwater Forest foi lançado oficialmente no MWC, em março, como Xeon 6+. É o chip mais ambicioso da Intel para Data Center: empilha 288 núcleos Darkmont distribuídos em 12 compute chiplets fabricados em 18A, montados sobre tiles base em Intel 3 com a tecnologia Foveros Direct 3D. O ganho de IPC é de 17% sobre a geração anterior.

O foco é a inferência em nuvem e cargas densas, justamente o segmento que mais cresce conforme as implantações de IA migram do treinamento para a produção.
Os números do primeiro trimestre da Intel já demonstram essa demanda: a receita de Data Center e IA somou US$ 5,1 bilhões (cerca de R$ 25,2 bilhões), alta de 22% na comparação anual.
“Estamos entrando em nova era da computação possibilitada por avanços em semicondutores.”
Lip-Bu Tan, CEO da Intel
A frase é de Lip-Bu Tan, que afirma estar construindo “uma nova Intel” com base na tecnologia 18A. A companhia também deve atualizar no keynote os planos para o Crescent Island, acelerador dedicado de inferência, e para o Jaguar Shores, plataforma rack-scale para Data Centers do final da década.
Os dois produtos são a tentativa da Intel de não entregar de bandeja o mercado de aceleradores de inteligência artificial para a NVIDIA.
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Aposta no 18A precisa convencer Apple, Amazon e Terafab
O fio que costura toda a linha é o nó 18A: o processo combina transistores RibbonFET de gate-all-around com a entrega de energia pela parte traseira (PowerVia), e é hoje a manufatura mais avançada produzida inteiramente em solo americano.
O 18A é o produto que a Intel vende para Apple, Amazon e a Terafab de Elon Musk, que está erguendo uma fábrica de US$ 25 bilhões (R$ 124 bilhões).
Mas a credibilidade da promessa depende dos produtos próprios. Se Panther Lake escala sem defeitos, se Clearwater Forest entrega o desempenho prometido, se o Arc G3 cabe no envelope térmico de um handheld, cada lote em produção vira ponto de dado para clientes externos avaliando se vale apostar fichas no nó.
A própria divisão de foundry da Intel ainda perde US$ 2,4 bilhões por trimestre e fatura US$ 174 milhões em receita externa, contra os US$ 20 bilhões da TSMC.
Por incrível que pareça, a ironia é geográfica: a Computex acontece a 40 quilômetros da sede da TSMC, em Taipei, e a Intel chega ao palco como concorrente direto da empresa mais valiosa do país-anfitrião. Em 2016, a companhia americana era a maior fabricante de semicondutores do mundo por receita.
Em 2024, havia caído para o oitavo lugar e suas ações chegaram a US$ 18. Quatorze meses depois, a empresa volta à máxima histórica, com o governo dos EUA detendo 10% do capital.
Por isso, a Computex é onde o time azul começa a provar que a história tem como continuar…
Fonte(s): Intel


