A situação atual do FSR (FidelityFX Super Resolution) da AMD pode ter uma explicação mais profunda do que simples escolhas de produto: a fuga de talentos.
Colin Riley, conhecido como Domipheus no Discord e ex-líder que trabalhou diretamente no desenvolvimento do FSR 2, FSR 3 e FSR 4, afirmou publicamente que grande parte dos membros das equipes FidelityFX e GPUOpen deixou a AMD nos últimos anos para ingressar na NVIDIA ou na Intel.
Quem é Colin Riley e por que sua fala importa
Colin Riley passou quase 9 anos na AMD antes de deixar a empresa para trabalhar na JECO, uma companhia de software.
Durante esse período, foi um dos nomes centrais no desenvolvimento da linha FSR, participando de três gerações consecutivas da tecnologia. Sua posição interna e o tempo de casa lhe dão uma visão privilegiada sobre a dinâmica das equipes que constroem o ecossistema de upscaling da AMD.
Em comentários compartilhados no Discord e repercutidos no Reddit pelo subreddit r/radeon, Riley não apontou apenas a saída de engenheiros genéricos, mas de figuras específicas com peso técnico real:
“Eu não trabalhei no Ray Regeneration especificamente, mas conheço a pessoa que fez a pesquisa e a implementação da versão que foi lançada. Ele não está mais na AMD, foi para a NVIDIA.”
Além disso, Riley revelou que o diretor que fundou o GPUOpen também deixou a AMD para ir à Intel. Outro diretor, que era seu gestor direto durante o período de lançamento do FSR 4, seguiu o mesmo caminho e foi para a NVIDIA. Engenheiros que Riley classifica como “ótimos profissionais” também fizeram a transição para os concorrentes.
O que isso explica sobre o estado atual do FSR 4
Os relatos de Riley surgem em um momento de crescente insatisfação da comunidade com o FSR 4. Os pontos de atrito são conhecidos: a tecnologia está restrita às GPUs RDNA 4 (linha Radeon RX 9000), deixando de fora milhões de usuários com placas das gerações RDNA 2 e RDNA 3.
O Ray Regeneration, um dos recursos mais avançados do FSR 4, está disponível em apenas alguns títulos, como Call of Duty: Black Ops 7 e Crimson Desert. E dos mais de 100 jogos com suporte declarado ao FSR 4, nem todos têm a tecnologia integrada nativamente, boa parte depende de ativação via software Adrenalin da própria AMD.
O episódio do vazamento do FSR 4.1 agravou ainda mais o clima. Arquivos DLL que circularam brevemente indicavam que o FSR 4 poderia funcionar em GPUs antigas com suporte a INT8, o que alimentou a expectativa de que a AMD liberaria o suporte retroativo.
A empresa agiu rápido para remover o vazamento, mas não anunciou nenhuma mudança de planos, deixando a base de usuários de GPUs anteriores sem perspectivas claras.
Moral alta, depois o silêncio
Um dos trechos mais impactantes do relato de Riley é o contraste entre dois momentos distintos da equipe FSR. Ele descreve uma fase em que o time tinha moral elevada e a retenção de talentos era excelente por vários anos consecutivos.
A virada veio de forma abrupta: “Até que não foi mais assim.” Sem entrar em detalhes sobre o que precipitou a mudança, Riley deixa implícito que algo no ambiente interno da AMD alterou o equilíbrio que mantinha os profissionais na empresa.
Esse tipo de evasão de talentos em bloco raramente é coincidência. Quando engenheiros sênior, diretores de produto e leads técnicos migram simultaneamente para concorrentes, os efeitos aparecem nos produtos meses ou anos depois, na forma de atrasos, funcionalidades incompletas ou decisões conservadoras que frustram a comunidade.
O que a AMD tem pela frente
A AMD já confirmou que trabalha na próxima geração da tecnologia, chamada de FSR Diamond. A empresa também tem investido em sua estratégia voltada para consoles, com arquiteturas futuras de GPU com foco nesse mercado.
Mas a base de usuários Radeon no PC (que soma milhões de placas das gerações RDNA 2 e RDNA 3) segue sem uma resposta clara sobre quando, ou se, terá acesso ao FSR 4.
A comparação com os concorrentes pesa: a NVIDIA também bloqueia recursos como o Multi-Frame Generation em GPUs mais antigas, mas manteve o suporte ao seu upscaling mais recente em cards desde a série RTX 20.
A Intel, apesar de problemas históricos com drivers e otimização, tem evoluído consistentemente desde a era Alchemist e conquistado reconhecimento entre desenvolvedores.
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Transparência como caminho
O próprio Riley terminou sua fala com um apelo direto à AMD: voltar ao básico, ser aberta, e se comunicar com clareza com seus usuários.
Se há uma razão técnica ou estrutural que impede o FSR 4 em GPUs antigas, a comunidade prefere ouvir isso explicitamente a ser deixada no silêncio.
A honestidade, como ele colocou, é a melhor resposta… E também a mais respeitosa com quem investiu no ecossistema Radeon.
Fonte(s): Reddit

