A AMD lançou nesta semana o Radeon Software Adrenalin Edition 26.3.1, trazendo consigo o FSR Upscaling 4.1 para as placas da série Radeon RX 9000. O update coincidiu com o lançamento do jogo Crimson Desert, da Pearl Abyss, e serve como um dos primeiros casos públicos de uso do FSR 4.1 em um título disponível ao público, tornando o game uma vitrine involuntária da tecnologia da AMD no dia de seu lançamento.
O que muda no FSR 4.1
Segundo a própria AMD, a versão 4.1 aprimora o upscaling baseado em aprendizado de máquina em três frentes principais: maior riqueza de detalhes na imagem, movimento de câmera mais suave e comportamento mais consistente no modo Ultra Performance, o preset de menor custo computacional da tecnologia, voltado para quem precisa de máximo desempenho mesmo a custo de alguma qualidade visual.
O Crimson Desert suporta FSR 3, FSR 4 e o recurso de Ray Regeneration, o sistema de denoising por Ray Tracing da AMD que melhora reflexos e iluminação global. Com o driver 26.3.1, a AMD une o lançamento do jogo ao empacotamento de sua pilha de upscaling mais recente em um título triple-A do dia um.
A ligação com o PS5 Pro: Projeto Amethyst
O ponto mais relevante da atualização vai além do PC. O FSR 4.1 é baseado na mesma rede neural que sustenta a atualização do PSSR (PlayStation Spectral Super Resolution) liberada para o PS5 Pro nesta semana, a chamada PSSR 2.
Essa conexão tem nome: Projeto Amethyst, parceria firmada entre AMD e Sony em 2023 com o objetivo de desenvolver modelos de aprendizado de máquina e redes neurais convolucionais para aprimoramento gráfico tanto em consoles quanto em PCs. O resultado dessa colaboração chegou primeiro ao PC na forma do FSR 4, e agora chega ao PS5 Pro com seis meses adicionais de refinamento.
Em comunicado oficial no PlayStation Blog, Mark Cerny, arquiteto-chefe do PS5, explica que o algoritmo e a rede neural da nova versão do PSSR têm origem direta na parceria com a AMD:
Com o FSR 4, os jogadores de PC já viram os benefícios dessa colaboração. Com o PSSR atualizado, estamos entregando o que há de mais recente nessa tecnologia codesenvolvida, com mais seis meses de refinamento para os jogadores do PS5 Pro
O Resident Evil Requiem foi o primeiro jogo a estrear o PSSR atualizado no PS5 Pro, e a Sony confirmou que um update de sistema permitirá ativar a opção “Enhance PSSR Image Quality” nas configurações do console para qualquer jogo que já tenha suporte ao PSSR original.
Mesma base, plataformas diferentes
Embora compartilhem a mesma origem algorítmica, FSR 4.1 e PSSR 2 não são implementações idênticas.
As GPUs da série RX 9000 contam com unidades dedicadas para processamento de instruções matriciais usadas na parte de IA do FSR 4, enquanto o PS5 Pro executa todos os cálculos pelas unidades de computação convencionais.
A Sony precisou adaptar a tecnologia para o hardware do console, que não possui cache L3 dedicado nem pool de memória separado como as placas desktop.
Segundo análise do Digital Foundry, a versão do PSSR 2 no PS5 Pro opera com instruções INT8, formato que o hardware do console consegue acelerar com até 300 TOPs de desempenho dedicado.
O resultado prático, segundo testes independentes publicados pela mesma publicação, é uma melhora significativa na clareza de imagem em relação ao PSSR original.
RX 6000 e RX 7000 seguem de fora
O lançamento do FSR 4.1 reacende uma das discussões mais recorrentes na comunidade AMD: a ausência de suporte oficial para arquiteturas anteriores. Os drivers do Adrenalin 26.3.1 deixam claro que o FSR 4.1 continua sendo exclusivo da série RX 9000, sem menção a expansão para as gerações RDNA 2 ou RDNA 3.
O Digital Foundry admitiu não encontrar uma razão técnica clara que impeça a AMD de lançar o FSR 4 para as RX 6000 e RX 7000, especialmente após vazamentos e testes mostrarem que a tecnologia roda com INT8 nessas GPUs.
A única hipótese levantada é fragmentação de produto, mas a publicação considera esse argumento insuficiente para justificar a omissão.
Vale notar que modders já conseguiram executar FSR 4 em placas RDNA 2 por conta própria, demonstrando a viabilidade técnica da integração. A AMD, até o momento, permanece em silêncio sobre o assunto.
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E agora?
A convergência entre FSR e PSSR aponta para um cenário em que AMD e Sony continuam aprofundando sua colaboração técnica. Mark Cerny descreveu o PS5 Pro como um passo inicial no trabalho conjunto entre as duas empresas para refinamento de upscaling baseado em aprendizado de máquina para produtos futuros, com o PlayStation 6 claramente no horizonte dessa equação.
Para os usuários de PC com RX 9000, o FSR 4.1 é uma melhora incremental, mas concreta, em uma tecnologia que já havia reduzido consideravelmente a distância em relação ao DLSS da NVIDIA. O fato de a mesma rede neural agora rodar em um console de sala de estar, com seis meses a mais de aprimoramento, é um indicativo de que o Projeto Amethyst ainda tem muito a entregar nas duas plataformas.


