Um benchmark publicado na plataforma Geekbench 6 na última quinta (5) expôs pela primeira vez os números reais do processador Apple M5 Max antes de qualquer anúncio oficial da empresa.
O chip, identificado pelo modelo Mac17,7, registrou pontuação de 4.268 pontos no teste de núcleo único e 29.233 pontos no multicore, um acréscimo de aproximadamente 10% em relação ao M4 Max, seu antecessor direto.
O dado mais expressivo, porém, está em outro lugar: com apenas 18 núcleos de CPU, o M5 Max superou o M3 Ultra, que conta com 32 núcleos.
O que os números dizem sobre o M5 Max
O teste foi conduzido com o Geekbench 6.6.0 para macOS AArch64, rodando sobre o macOS 26.3.1 (Build 25D2128), uma versão do sistema operacional ainda não lançada publicamente, o que indica que o benchmark vazou de uma máquina em fase de desenvolvimento.
O processador opera a 4,60 GHz de frequência base e possui configuração de 18 núcleos distribuídos em dois clusters: seis núcleos de alto desempenho e 12 núcleos eficientes. A memória RAM do sistema testado é de 128 GB.
Para contextualizar a evolução entre gerações, o M4 Max com 16 núcleos de CPU marcou 4.049 pontos no single-core e 26.509 no multicore. Isso coloca o M5 Max cerca de 5,4% à frente no desempenho por núcleo e 10,3% acima no processamento paralelo.
A diferença é longe de ser revolucionária, mas mostra um padrão comum em atualizações incrementais de plataformas maduras como a linha Apple Silicon.
18 núcleos contra 32: como o M5 Max bate o M3 Ultra
A comparação que mais chama mais atenção no benchmark é a disputa com o Mac Studio com M3 Ultra de 2025. No teste de núcleo único, o M5 Max já era esperado sair na frente (e fez isso com folga, diga-se de passagem), registrando 31,4% a mais de desempenho. São 4.268 contra 3.247 pontos) O M3 Ultra roda a 4,05 GHz, contra os 4,60 GHz do novo chip, o que explica boa parte dessa vantagem.
O resultado multicore, porém, surpreende. O M3 Ultra tem 32 núcleos de CPU, quase o dobro dos 18 núcleos do M5 Max, e ainda assim ficou com 28.169 pontos, enquanto o chip mais novo alcançou 29.233.
A diferença parece pequena, de cerca de 3,8%, mas o impacto arquitetural é considerável: o M5 Max age com menos da metade dos núcleos e mesmo assim se coloca à frente do maior processador que a Apple comercializava até então.
Isso coloca o novo chip na posição de Silício Apple mais rápido já registrado no Geekbench 6 em ambas as categorias de teste.
Apesar de ter quase metade dos núcleos de CPU do M3 Ultra, o M5 Max consegue superá-lo em multicore, um feito que demonstra como a nova arquitetura Fusion compensa a diferença em quantidade com ganhos expressivos em eficiência por núcleo
A nova arquitetura que quebrou o limite de 16 núcleos
Uma das mudanças estruturais mais relevantes no M5 Max é a adoção do design chiplet 2.5D da TSMC.
A tecnologia de empacotamento avançado permite integrar múltiplos dies em um único pacote com eficiência energética, algo que a Apple não conseguia com o processo de fabricação anterior. Na prática, o resultado direto é que a linha Max, que estava limitada a 16 núcleos de CPU desde o M1 Max, agora chega a 18 núcleos.
A arquitetura também tem reflexos no cache: o M5 Max conta com L2 Cache de 8 MB, o dobro dos 4 MB do M3 Ultra no mesmo nível.
Isso contribui para maior eficiência no processamento de cargas de trabalho intensas, já que o chip precisa buscar dados com menos frequência na memória principal.

Núcleo a núcleo: onde o M5 Max vence e onde perde
A análise detalhada das subtarefas do benchmark revela um comportamento heterogêneo.
No single-core, o Mac17,7 domina quase todos os testes frente ao Mac Studio M3 Ultra: leva vantagem em HTML5 Browser (133,4%), Text Processing (133,2%), Photo Library (131,1%), Navigation (119,1%), File Compression (116,2%) e PDF Renderer (119,9%). O teste de Clang, que simula compilação de código, também aponta 124,6% de vantagem para o M5 Max.
No multicore, o quadro muda. O M3 Ultra, com seus 32 núcleos, supera o M5 Max em tarefas que escalam bem com muitos threads: Clang (83,2% em favor do Ultra), Asset Compression (86,4%), Photo Library (83,9%) e Ray Tracer (78,9%).
Nessas cargas, a maior contagem de núcleos do M3 Ultra ainda faz diferença real. Por outro lado, o M5 Max retoma a liderança em Background Blur (162,3%), Text Processing (132,9%), Object Remover (131,9%) e Photo Filter (142%), testes onde a eficiência por núcleo pesa mais do que volume de threads.
Vale a pena migrar do M4 Max?
Para quem possui um Mac com M4 Max e considera uma atualização, os números do benchmark sugerem cautela.
A diferença de cerca de 10% no multicore e pouco mais de 5% no single-core raramente justifica a troca de hardware para a maioria dos fluxos de trabalho. O ganho se torna mais relevante para quem usa aplicações que se beneficiam diretamente da nova arquitetura ou do cache maior.
O panorama é diferente para usuários que ainda estão em chips da geração M3 ou anteriores, principalmente aqueles com o M3 Ultra que buscam máxima performance em tarefas de núcleo único.
A diferença de 31,4% no single-core entre o M5 Max e o M3 Ultra é um avanço considerável, sobretudo em aplicações que dependem da velocidade de um único thread, como edição de áudio, modelagem 3D sequencial ou compilação de software.

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O M5 Max reescreve a hierarquia do Apple Silicon
O que o benchmark do Mac17,7 deixa claro é que a Apple está mudando a lógica de como organiza sua linha de chips.
Pela primeira vez, um processador da família Max consegue ultrapassar um chip Ultra em desempenho agregado e faz isso com menos da metade dos núcleos. Isso sinaliza uma inversão de paradigma: a eficiência arquitetural começa a pesar mais do que o puro volume de transistores na decisão de compra.
A pergunta que ficou sem resposta por enquanto é como o M5 Ultra (o chip que combina dois dies M5 Max) vai se comportar nesses mesmos testes. Se um M5 Max com 18 núcleos já ultrapassa o M3 Ultra de 32, o que dois dies juntos serão capazes de entregar é uma das apostas mais aguardadas do calendário de hardware da Apple nos próximos meses.
Fonte(s): Geekbench


