SSDs mais caros à vista: fabricantes de NAND reduzem produção para elevar preços

Se você estava planejando um upgrade no armazenamento do seu PC, a recomendação é fazer já por que o cenário não é dos mais animadores. Um novo aumento do preço de SSD parece inevitável no horizonte próximo, impulsionado por uma mudança estratégica das principais fabricantes de memória.

Segundo relatórios recentes da indústria, gigantes como a Samsung e a SK hynix estariam reduzindo deliberadamente a produção de chips NAND para forçar uma alta nos valores de contrato e migrar recursos para setores mais lucrativos.

De acordo com informações do Chosun Biz, as duas sul-coreanas, que juntas dominam uma fatia massiva do mercado global, revisaram suas previsões de saída de wafers de NAND para baixo em 2026. O motivo é claro: o mercado de DRAM, principalmente com a explosão da IA, oferece margens de lucro muito superiores.

Para o consumidor final de hardware, isso significa que a era dos SSDs baratos pode estar dando uma pausa forçada.

Divulgação/Samsung

Foco total na margem de lucro

O relatório aponta que a Samsung deve reduzir sua produção de wafers de NAND de 4,9 milhões (em 2025) para cerca de 4,68 milhões este ano. A SK hynix segue um caminho similar, cortando de 1,9 milhão para 1,7 milhão de unidades.

A lógica corporativa é desviar o investimento de capital (CAPEX) e a capacidade fabril para a produção de DRAM e memórias HBM, vitais para aceleradores de IA.

Ao restringir a oferta de NAND, as fabricantes buscam replicar no armazenamento o mesmo cenário de escassez controlada que elevou os preços da memória RAM.

Com a oferta mais apertada e a demanda por soluções de armazenamento de alta performance ainda existente, a tendência é que os custos sejam repassados para toda a cadeia, chegando inevitavelmente aos SSDs NVMe e SATA vendidos no varejo.

Indústria de fabricação de memórias NAND da Samsung – Divulgação/Samsung

O efeito NVIDIA e a plataforma Rubin

Para piorar a situação do consumidor doméstico, o setor corporativo de IA está prestes a devorar uma quantidade sem precedentes de memória flash. A nova plataforma Rubin da NVIDIA, projetada para a próxima geração de agentes de IA, utiliza uma tecnologia chamada Inference Context Memory Storage (ICMS).

A arquitetura exige volumes colossais de NAND para expandir o cache KV (Key-Value), permitindo que os sistemas mantenham logs de contexto gigantescos.

Analistas do Citi estimam que apenas uma solução de rack da plataforma Rubin pode consumir até 1.152 TB de armazenamento.

As projeções indicam que, até 2027, somente essa demanda da NVIDIA poderia abocanhar 115,2 milhões de TeraBytes da produção global, praticamente 10%.

Com as fabricantes de chips já comprometidas em fornecer para esses gigantes da tecnologia por vários trimestres, sobra pouco espaço para o mercado de PC Games e entusiastas negociarem preços melhores.

Divulgação/NVIDIA

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O consumidor vai sofrer

O resultado dessa equação é um “aperto de oferta” (supply squeeze). Se por um lado as linhas de produção estão desacelerando, por outro, a demanda por SSDs de alta capacidade em servidores de IA está explodindo.

Diferente de ciclos anteriores, onde a flutuação era natural, este movimento parece ser uma correção de curso calculada para maximizar dividendos.

Para quem monta computadores, seja para jogar títulos exigentes ou trabalhar, a recomendação de especialistas é não esperar muito se encontrar uma boa oferta.

O preço por GigaByte, que vinha em uma trajetória de queda histórica nos últimos anos, agora enfrenta uma pressão ascendente que pode tornar o upgrade de armazenamento um item de luxo temporário em 2026.

Agora precisamos acompanhar se outras competidoras tentarão preencher essa lacuna ou se seguirão a mesma tendência de priorizar o “ouro” da IA em detrimento do Silício do consumidor.

Fonte(s): Chosun Biz

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