450 desenvolvedores de Diablo se unem em novo sindicato

Seguindo o mesmo caminho dos times responsáveis por World of Warcraft e Overwatch 2, os desenvolvedores de Diablo agora também são sindicalizados. Na última quinta-feira (28), 450 trabalhadores dedicados à franquia da Blizzard anunciaram que passaram a fazer parte da Communications Workers of America (CWA).

O grupo já foi reconhecido oficialmente pela Microsoft, que se comprometeu a não intervir na formação de sindicatos durante a aquisição da Activision Blizzard. No entanto, agora começa a parte complicada: estabelecer um acordo coletivo que seja respeitado por ambas as partes e torne o grupo “oficial”.

Foto: Divulgação/Blizzard

Segundo Kelly Yeo, uma produtora de Diablo IV, ela decidiu se sindicalizar no momento em que a empresa cancelou um jogo de sobrevivência não anunciado e demitiu todas as suas equipes. Ao Aftermath, ela afirmou que as demissões frequentes feitas pela Microsoft também tem motivado mais desenvolvedores a buscar meios de lutar e garantir seus direitos.

Há algumas pessoas com quem estivemos conversando que estavam realmente em cima do muro sobre isso, e isso foi meio um cataclisma para eles — ou acredito que a última gota. Parece que cada vez que isso acontece [as demissões], o nó se aperta um pouco a mais em todos que ficaram para trás”, explicou Yeo.

Equipe de Diablo foi inspirada pela Zenimax Online

A produtora de Diablo IV também afirma que a maneira como as demissões recentes da Microsoft afetou a Zenimax Online serviu como inspiração para a formação do sindicato. Segundo ela, ficou bastante evidente a forma como os acordos coletivos conseguiram proteger alguns trabalhadores dos cortes, e como outros acabaram tendo pacotes de rescisão mais favoráveis como consequência disso.

450 desenvolvedores de Diablo se sindicalizam na Microsoft
Foto: Divulgação/Blizzard

Obviamente o ideal é que vamos conseguir salvar todos os trabalhos, mas eles pelo menos tiveram uma chance”, explicou Yeo. Enquanto as bases de um acordo coletivo ainda estão sendo criadas, os membros do novo grupo querem trazer à mesa de negociações discussões sobre pagamentos, a adoção de ferramentas de inteligência artificial, créditos e rotinas de trabalho remoto.

Um dos pontos mais sensíveis deve ser a questão dos pagamentos, que são historicamente baixos dentro da Blizzard. Muitos desenvolvedores que se dedicam a franquias como Diablo sabem que, apesar do prestígio que isso pode trazer, seus salários seriam maiores ao desempenhar funções semelhantes em outros estúdios.

450 desenvolvedores de Diablo se sindicalizam na Microsoft
Foto: Divulgação/Blizzard

Yeo também explica que a alta gerência da Activision Blizzard está incentivando cada vez mais o uso de ferramentas de IA, o que tem preocupado principalmente artistas. A ideia do acordo coletivo é definir regras para que a tecnologia possa ser usada como um auxílio ao trabalho de profissionais, mas não como uma maneira de substituí-los completamente.

Fonte: PC Gamer, Aftermath

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